Palavra do Presidente

Reeleição de Vladimir Putin: o que esperar do Chefe de Estado da Rússia nos próximos anos?

Em 18 de março de 2018, Vladimir V. Putin se reelegeu Presidente da Federação da Rússia com uma votação considerada “consagradora”, recebendo o apoio de mais de 56 milhões de eleitores, quase 77% dos sufragistas. Ele seguirá à frente do poder do maior país do planeta por mais seis anos, até 2024.

Chamou à atenção de especialistas o convite para um encontro feito pelo Presidente russo aos concorrentes no pleito logo após sua eleição, aceito pela maioria. O foco principal das discussões foi a necessidade de realizar-se um governo de coalizão.  Na pauta, estiveram as dificuldades atravessadas ao longo dos últimos anos, especialmente os problemas sociais sendo equacionados, como a expectativa de vida (subiu dos 67 aos 72 anos, entre 2004 e 2017, face aos programas de saúde, e à diminuição do consumo de álcool), e o decréscimo dos índices de pobreza e desemprego, através de novas políticas públicas adotadas de incentivo ao desenvolvimento de atividades empresariais, com respaldo do Estado russo.

Na cena geopolítica, seguirão os rumos que adotados anteriormente, que ganharam notadamente força diante do conflito sírio, pelo fortalecimento no âmbito dos países BRICS, e no desenvolvimento das relações dos países da União Econômica Eurasiática (Belarus, Cazaquistão e Armênia, além da Rússia). Em todas as declarações que tem dado, Putin assegura que a Rússia não ameaça nenhum país, somente busca a preservação de sua própria segurança, e a proteção de sua soberania. Há algumas semanas, um dos homens do círculo mais estreito de Putin, o Vice-Ministro da Defesa, Ruslam Tsalikov, em conferência de imprensa ressaltou seu entendimento de que “as forças armadas e capacidades seguras de defesa são vitais para qualquer Estado soberano, especialmente para a Rússia, que ocupa um sexto da parte da Terra, e que é rica em todos os recursos que oferece”.

Enfatiza-se também que a Rússia obteve crescimento de seu PIB nos últimos 3 anos, e reduziu sua inflação, mesmo sujeita às sanções que parte da União Europeia e dos EUA . Por mais irônico que possa parecer, note-se que estas restrições redundaram justamente no crescimento do mercado interno russo, e também das reservas estratégicas e ouro e divisas. E, naturalmente, no franco desenvolvimento do senso de patriotismo do povo russo, face às restrições às quais vem sendo submetido.

Quanto ao relacionamento com os países da Mercosul, com especial ênfase ao Brasil, os prognósticos são de que a parceria deverá se fortalecer muito em breve, face aos interesses russos em setores como de geração de energia (incluindo as alternativas), logística e transportes, agropecuário, e nos segmentos de inovações tecnológicas, visando a formação de uma grande “Aliança Tecnológica”.

A cooperação econômica bilateral encontra enorme campo para se desenvolver. Observa-se, no entanto, que o lado brasileiro precisa promover melhoras em sua atmosfera de negócios, e principalmente reconstituir suas instituições para atrair novos investimentos – não apenas os de origem russa. Não há outra maneira de dar-se impulso às relações de investimentos russo-brasileiros, e fazer com que a política da Rússia volte-se mais para o Brasil, acreditando também em sua liderança frente aos países do Mercosul, em meio ao estrago cada vez maior das relações russas com a Europa Ocidental.

O momento de crise institucional no Brasil, e de cerco à Rússia, oferece àqueles com visão empreendedora oportunidades que jamais existiram antes: é ÚNICO. A par de se tratarem de economias complementares, Brasil e Rússia quase não competem entre si. Pode ser visto claramente que ambas as nações são impelidas mais do que nunca a buscarem a consolidação de uma parceria estratégica, baseadas nos princípio da reciprocidade, e do adensamento das relações em linhas gerais, inclusive no campo humanitário.

Mesmo entre os críticos, há reconhecimento comum de que a liderança de Vladimir Putin é incontestável, e sua vocação de Chefe de Estado ganha cada vez mais força no cenário global, na medida em que outros países e blocos venham logrando seguidos insucessos em suas políticas socioeconômicas locais e regionais, exceção feita a alguns poucos, como a China.

Em síntese: que venha Putin…! O Brasil é, sem sombra de dúvidas, o seu maior parceiro na América Latina. E, decerto, em toda a cena global.

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