Reunião dos Chanceleres do BRICS / Análise e Declaração final
A declaração final dos chanceleres do BRICS, publicada na íntegra pelo Itamaraty em 29 de abril, mostra a linha firme do grupo em defesa do Sul Global
A declaração final dos chanceleres do BRICS, publicada na íntegra pelo Itamaraty em 29 de abril, mostra a linha firme do grupo em defesa do Sul Global. Confira os principais destaques: Contra sanções ilegais: os ministros condenaram o uso de sanções unilaterais, consideradas violações do direito internacional. Para o BRICS, essas medidas afetam desproporcionalmente os mais pobres e violam os direitos humanos.
Reforma: o grupo voltou a pressionar por mudanças na Organização das Nações Unidas (ONU), incluindo a ampliação do Conselho de Segurança, com mais presença de países em desenvolvimento, especialmente da África, Ásia e América Latina. Final do Protecionismo: o BRICS criticou o uso abusivo de medidas protecionistas sob a desculpa de políticas ambientais e defendeu o fortalecimento da Organização Mundial do Comércio (OMC) como centro do sistema multilateral. Palestina: a declaração oficial dos ministros condena a ofensiva israelense contra Gaza, pede a retirada total das forças de Israel, a libertação de reféns e o acesso irrestrito à ajuda humanitária.
Multipolaridade: os ministros reforçaram que a multipolaridade é irreversível e que o Sul Global deve liderar a construção de uma ordem mundial mais justa, equilibrada e inclusiva. Mais membros, mais força: o grupo saudou a entrada oficial da Indonésia no BRICS, neste ano, e o status de parceiros concedido a Bolívia, Cazaquistão, Cuba, Nigéria, Malásia, Uganda, Uzbequistão, Tailândia e Belarus. Tecnologia e moedas locais: o documento destaca que o BRICS vai ampliar a cooperação em inteligência artificial, segurança cibernética, espaço sideral e no uso de moedas locais para escapar da dependência do dólar.
Câmara Brasil-Rússia se posiciona a respeito do crescimento do comércio bilateral e intrabloco Em entrevistas concedidas a algumas das principais mídias russas, o Presidente da Câmara Brasil-Rússia, Gilberto Ramos, abordou temas como os benefícios comerciais entre os países, uma possível moeda única para o bloco, investimentos russos em infraestrutura no Brasil, o papel do Novo Banco de Desenvolvimento (NBD) e a criação de um banco de grãos do BRICS. Ramos comentou o crescimento das relações comerciais entre Brasil e Rússia nos últimos anos e abordou a possibilidade de uma moeda única para o grupo de países, assinalando que a corrente comercial entre Brasil e Rússia vem batendo recordes anualmente. Em 2024 foram 12 bilhões e 400 milhões de dólares, e 2023 atingiu 11 bilhões e 300 milhões.
De acordo com o presidente da Câmara Brasil-Rússia, a expectativa é que as negociações entre os países do BRICS continuem sendo realizadas em moedas nacionais, frisando que, há alguns anos mais de 90% das negociações comerciais intrabloco eram feitas em dólares, mas esse percentual sofreu uma redução drástica, tendo chegado a praticamente 1/3 deste percentual nos dias de hoje. Essa posição é uma linha com discussões que foram abordadas por analistas e pela mídia sobre a criação de uma moeda única para o bloco. O mandatário ressaltou os esforços conjuntos dos bancos russos e brasileiros para contribuir com as operações financeiras bilaterais, diante de sanções impostas por nações ocidentais que aumentaram o fluxo financeiro entre os países.
Benefícios bilaterais O presidente da Câmara Brasil-Rússia destacou que o aumento das operações financeiras entre os dois países tem impulsionado uma corrente comercial cada vez mais robusta. Entre os principais produtos enviados da Rússia para o Brasil são o diesel e fertilizantes, enquanto o Brasil exporta carne, soja, frutas e cafés especiais. Segundo Ramos, o fortalecimento dessa relação também passa pela necessidade de haver maior presença de empresas brasileiras e russas participantes nos respectivos mercados.
Para o dirigente, essa integração contribui para manter a fluidez das trocas e ampliar as possibilidades de crescimento sustentável no comércio bilateral. Gilberto Ramos destacou a complementaridade entre as economias do Brasil e da Rússia, ressaltando que o avanço nas relações bilaterais pode ganhar um novo impulso com a implementação de projetos estratégicos no solo brasileiro. Segundo ele, iniciativas voltadas à infraestrutura, como investimentos no setor ferroviário, construção naval em terminais logísticos e na área portuária já estão sendo discutidas entre os países, com potencial para fortalecer ainda mais os laços comerciais e atrair novos fluxos de investimento.
O Novo Banco de Desenvolvimento (NBD) pode desempenhar um papel fundamental nesse processo, já que sua principal missão é financiar projetos de infraestrutura. "Banco de Grãos do BRICS" Questionado por jornalistas sobre a criação de um "Banco de Grãos do Brics", considerando que o bloco reúne alguns dos maiores produtores agrícolas do mundo, o presidente da Câmara Brasil-Rússia explicou que a proposta partiu do presidente Vladimir Putin. Denominado como uma ''''bolsa de cereais'''
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