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Câmara Brasil-Rússia
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Спутник Бразил отмечает 10 лет с панельной дискуссией о БРИКС и глобальном суверенитете

С целью осмыслить трансформацию Новой Глобальной Порядка и отпраздновать свои 10 лет существования, агентство Sputnik Brasil, партнер журнала Intertelas, провело семинар «БРИКС как обещание экономического и медийного суверенитета».

АвторAdmin
Спутник Бразил отмечает 10 лет с панельной дискуссией о БРИКС и глобальном суверенитете

No intuito de refletir sobre a transformação da Nova Ordem Global e celebrar seus 10 anos de existência, a agência Sputnik Brasil, parceira da Revista Intertelas, promoveu o seminário “BRICS como Promessa de Soberania Econômica, Midiática e Conceitual para o Sul Global”, no dia 3 de julho de 2025, no edifício onde se situa a sede d Câmara Brasil-Rússia de Comércio, Indústria e Turismo, localizada no centro da cidade do Rio de Janeiro. Sendo uma agência de notícias multimídia e emissora de rádio de alcance global, a Sputnik realiza cobertura informativa em mais de 30 idiomas por todo o mundo. Com 25 centros multifuncionais, emprega numerosos jornalistas locais.

Segundo a equipe da agência, seus conteúdos chegam a cerca de 35 milhões de visualizações diárias e sua audiência mundial de rádio supera 210 milhões de ouvintes. A Sputnik Internacional tem redações em diversas línguas, entre elas em inglês, francês, árabe, espanhol, português, turco, farsi e sérvio. Em agosto deste ano, a programação da Rádio Sputnik Brasil será ampliada em breve para 24 horas, nos 7 dias da semana, trazendo ainda mais notícias e análises sobre assuntos da política nacional e internacional, economia, defesa, ciência e cultura.

Com o slogan “Falando nas entrelinhas”, o evento sobre os BRICS contou com a presença do filósofo russo e um dos principais teóricos do movimento eurasiático, Aleksandr Dugin; do economista brasileiro e ex-vice-presidente do Novo Banco de Desenvolvimento (NBD), além de ex-diretor-executivo do Fundo Monetário Internacional (FMI), Paulo Nogueira Batista Jr; do jornalista estadunidense e co-fundador do site The Intercept, Glenn Greenwald; do presidente do Instituto Pereira Passos e professor de ciências econômicas da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, Elias Jabbour; e do colunista da Sputnik Internacional em Moscou, Pepe Escobar, responsável por mediar a conversa. Abrindo o seminário, o filósofo russo Aleksandr Dugin iniciou a sua fala afirmando que o BRICS representa a união da maioria global, sendo a principal organização que simboliza a multipolaridade. Mesmo a Rússia estando geograficamente localizada no hemisfério norte, ela desempenha um papel especial, ao lado da China, da Índia e do Brasil, fundadores originais do BRIC, na construção de um mundo multipolar.

Nas palavras de Dugin, os EUA (líder do ocidente coletivo), junto com seus aliados, insistem na unipolaridade e em sua hegemonia. “Eles desejam formalizar isso em uma organização internacional alternativa, a Liga das Democracias, ou seja, o próprio ocidente e seus vassalos submissos…é uma tentativa desesperada de preservar um mundo unipolar, centrado no ocidente. No entanto, a unipolaridade não é o futuro, mas o passado”. Conforme Dugin, a era dos BRICS está apenas começando e mesmo com vozes dentro do próprio ocidente coletivo que reconhecem a emergência de ordem multipolar, as forças dos chamados globalistas liberais impedem que essa visão do mundo seja expandida entre os países do ocidente.

Dugin explica isso citando Peter Thiel, empresário estadunidense que tem grande influência sobre figuras políticas importantes do atual governo Trump. “…os globalistas liberais, apoiadores da unipolaridade, apresentam o mundo multipolar como um choque de civilizações, o que consequentemente levaria ao Armageddon, ao Apocalipse. Assim, para Peter Thiel e outros apoiadores de Trump, as propostas liberais seriam uma espécie de anticristo que assusta a humanidade com catástrofes, epidemias e guerras para forçar a aceitação de seu domínio total. Para eles, o liberalismo, o globalismo e a unipolaridade são esse anticristo…”.

Segundo Dugin, Trump não tem pressa em cumprir as promessas feitas a quem o elegeu, o que pode ser observado na guerra agressiva contra o Irã, no seu posicionamento contra o próprio BRICS… e em seu apoio à agressão de Israel contra o Irã e ao genocídio da população palestina em Gaza. “Isso causou uma divisão entre seus apoiadores. De qualquer forma, o movimento Maga, que levou o Trump à vitória, quer que os Estados Unidos foquem em seus problemas internos, encerrem a política intervencionista, parem de fornecer enorme ajuda militar à Israel e ao regime de Kiev, reconheçam a multipolaridade. Se Trump fosse consistente, ele deveria solicitar a adesão ao BRICS e, junto com a maioria global, construir uma nova arquitetura para um mundo multipolar justo.

No entanto, sob a influência de lobbies, especialmente dos neoconservadores, ele se desviou significativamente dessa linha, encontrando-se entre duas estratégias radicalmente diferentes”. Assim, levando em conta o contexto relatado acima, Dugin conclui que a tarefa dos países que verdadeiramente escolheram a multipolaridade no nível ideológico e conceitual, e com base no potencial combinado dos meios de comunicação desses países, é provar o caráter harmonioso da multipolaridade, demonstrar o potencial pacificador do BRICS, sua capacidade de negociar eficazmente, apaziguar conflitos existentes e prevenir novos. “É necessário mostrar ao mundo de forma clara que o BRICS não é o caminho para Armageddon, não é o choque de civilizações; mas, ao contrário, a via correta para o mundo estável e confiável, para o diálogo e o respeito às particularidades civilizacionais e à soberania incondicional de todos os países, sem tentar impor novas formas de hegemonia. No BRICS todas são iguais, de fato”.

De acordo com Dugin, um aspecto importante da multipolaridade é que ela representa um modelo completamente novo de organização política do sistema internacional. “O sistema de Westfália foi baseado no reconhecimento da soberania dos Estados-nações, que inicialmente eram as potências coloniais europeias. Mais tarde, o princípio da soberania foi formalmente estendido às formações pós-coloniais. Assim foi criada a Liga das Nações.

No entanto, os países não conseguiram desfrutar de uma soberania real por muito tempo. Já nos anos 1930, na Europa e no mundo, formam-se três polos ideológicos: liberal, comunista e fascista. Apenas esses três polos eram soberanos.

Os Estados individuais rapidamente perderam qualquer soberania se não se alinhassem a um deles, voluntariamente ou forçadamente. Isso também se refletiu no mundo pós-colonial, incluindo os países da América Latina, onde diferentes Estados foram obrigados a escolher com quem estavam. A Liga das Nações foi dissolvida”.

Na linha de pensamento de Dugin, após a Segunda Guerra Mundial, a soberania nacional não foi restaurada, e embora a Organização das Nações Unidas tenha sido criada, formou-se um mundo bipolar, onde os países foram divididos em dois campos, capitalista e socialista. “As metrópoles desses campos, Moscou e Washington, eram soberanas. Já a maioria dos países da margem, não. Durante a Guerra Fria, havia também um movimento dos não-alinhados, mas ele não se tornou um polo independente.

Após o colapso da União Soviética, surgiu um mundo unipolar, onde apenas um campo, o ocidental, permaneceu soberano. Aos demais foi oferecida a escolha: submeter-se ou morrer. Isso é o fim da história, o domínio absoluto da civilização liberal ocidental moderna sobre todos.

Todos os outros países tinham uma soberania fictícia, e as votações na Organização das Nações Unidas tornaram-se uma formalidade vazia, refletindo os sucessos da hegemonia. Mas, desde o início dos anos 2000, a ascensão da China, da Rússia, da Índia e do Brasil colocou em xeque a soberania única do ocidente e a sua hegemonia”. Contudo, para Dugin, o mundo multipolar não é apenas a restauração da soberania dos Estados-nações, mas das grandes potências, dos Estados-civilizações. “Eles reúnem, com base em sua civilização geopolítica, grandes espaços que têm a chance de se tornar povos verdadeiramente soberanos.

O que quero dizer? O Polo não é apenas a Federação da Rússia, mas a Rússia-Eurásia, o mundo russo, a União Eurasiana. Por isso, a China luta pelo controle sobre Taiwan e promove o projeto Iniciativa Cinturão e Rota para além de suas fronteiras.

A Índia segue o mesmo caminho. O mundo islâmico fragmentado não tem chance de se tornar um sujeito do mundo multipolar se não superar suas contradições internas… A temática da União Africana e do Pan-Africanismo na África torna-se cada vez mais relevante… e a América Latina se deseja ser soberana, deve encontrar uma forma de integração em um grande espaço ecúmeno, como diz o filósofo argentino Alberto Buela. A liderança do Brasil provou-se ser a mais perspicaz entre os países da América Latina, é o próprio Brasil, o mais responsável, o mais próximo do status de grande potência.

O Brasil não apenas ingressou no BRICS, ele criou essa união. Estava e está na origem da multipolaridade. É hora de o Brasil desempenhar um papel de liderança na construção do grande espaço latino-americano”.

Dugin lembrou que esse era a ideia principal de Bolívar e San Martín, pioneiros da descolonização, e na formação dos Estados Unidos da América Latina, um Estado-civilização único, um polo soberano. “Mais tarde, essa ideia foi retomada tanto por forças de esquerda, de Castro, de Che Guevara, Hugo Chávez, quanto por forças de direita, o general Perón e o presidente do Brasil, Getúlio Vargas. Portanto, hoje é necessário um novo projeto integral, nem de direita nem de esquerda, de integração da América Latina, uma espécie de império soberano independente de qualquer um, nem dos Estados Unidos ou do ocidente coletivo, nem de qualquer outro povo. É nisso que vejo a missão do grande Brasil”.

O preparo dos EUA para a guerra contra o BRICS e os problemas internos do grupo Em uma de suas intervenções, o escritor Glenn Greenwald salientou que com o fim da Guerra Fria, acreditava-se nos Estados Unidos que não era mais necessário ao país gastar tanto com guerras. No entanto, o também advogado estadunidense lembrou que, ao contrário desta lógica, os EUA logo buscaram estar presentes em outras guerras e o advento do 11 de setembro piorou esta situação. Nessa semana, segundo Greenwald, o Congresso dos Estados Unidos está pronto para aprovar um orçamento militar de 1 trilhão de dólares, o primeiro na história. “As elit...